segunda-feira, 7 de abril de 2008

salvos pelo gongo

Véspera de feriado, não estava a fim de ir pra aula. Ainda mais em plena segunda-feira. Por mim, emendava desde sexta, mas, como tivemos poucas aulas com os professores de segunda, tínhamos que ter nessa também, caso contrário, ficaríamos atrasados. Mas sabem como é, eu não estava nem um pouco a fim de ir pra aula. Isso que, geralmente, eu nem me importo, vou com gosto. Mas não hoje. Chegamos atrasados e a professora ainda não tinha chegado (nada de "chego", não, que não existe). Fiquei torcendo para que ela não viesse... mas, logo logo, lá estava ela. Ela veio. Então a aula começou... a matéria não é das piores, é até interessante. Mas, como já disse, não estava a fim.
Foi então que aconteceu. Uma piscadinha, uma vacilada e a luz apaga e acende. Apaga e acende. Apaga. E foi assim, aquela escuridão que só. Eu me enchi de alegria e torci para que a energia não voltasse. Esperamos, eu tensa, para que não voltasse. Propostas começam a surgir... "ah, vamos ao cinema, então, vai passar tal filme..." "eu vou jogar bola com a galera..." "eu vou pra casa, então..."
E então, a professora faz o meu dia: "Bom, vocês viram que eu vim, né, de boa vontade..." e continuou "pessoal, vamos embora? Estão dispensados."
ÊÊÊ!! "Vamos embora logo, pessoal, antes que a luz volte!" disse meu irmão, sendo engraçado.
E assim, me deixou em casa e foi jogar bola.
Ah, nada como uma noite sem aula!

domingo, 23 de março de 2008

goodbye, blue sky

Acordamos bem cedo pela manhã, de forma que desse tempo para terminarmos de aprontar tudo para a viagem. De volta. Praticamente cinco meses tinham se passado e parecia que havia chegado no dia anterior, apenas. Um frio na barriga e um aperto no coração. Logo as meninas também se levantaram, já estava quase na hora. Retirei o lençol do colchão para guardá-lo na mala. Quer coisa mais triste do que um colchão sem lençol? Isso sempre me causou certo aborrecimento. Enfim, tudo pronto, chegou a hora do adeus. E que hora triste. Eu chorando muito, ela, nem. Disse que não é chorona, algo assim. Abracei um por um dos que ficavam. Odeio despedidas. Alguns eu conhecia há pouco tempo, mas não deixou de doer nem me fez sentir menos saudade. Não lembro a ordem nem quem eu abracei. Mas uma imagem ficou gravada, como que por navalha, a dela, nossa mãe negra, no portão fechado, olhando através das grades, com uma cara de tristeza sem precedentes, vendo-nos partir de carro, a caminho do aeroporto.
Um ano, dia desses.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

nosso querido highlander

Dia 2 de abril de 1998. Aula de matemática. Eu estudava num colégio estadual. A professora falava como alguém do interior. Tinha cara de quem morava em sítio. Se vestia super mal e a aula dela era péssima. Falava vagarosamente e sua voz também não ajudava muito. Lembro-me dela somente em duas ocasiões.
"Professora, meu avô morreu ontem."
"Ah, 1º de abril."
"1º de abril foi ontem, não hoje."
"E o que você está fazendo aqui?"
"Ué, ele morreu. Agora já é tarde."
Pai do meu pai. Não éramos muito próximos. Nada próximos, eu diria. Também meu pai nunca contou muitas histórias sobre ele. No dia de seu velório eu fiquei meio abalada, meu primeiro avô que faleceu. Lembro que eu sempre falava "eu tenho os quatro avós". De repente, "tenho duas avós e um vô". Mas, no mesmo dia, eu e minha prima fomos pra casa de uma amiguinha e fizemos brigadeiro, assistimos Cinderela ("Lúcifer tem seu lado bom...")... enfim, ficamos bem. Depois do enterro meu tio passou lá e nos levou pra casa da minha vó, onde a família se reuniu, pedimos pizza e relembramos os bons momentos com o falecido e demos boas risadas. Os mais velhos mais, porque tinham coisas das quais só eles achavam graça.
No dia 22 de novembro, do ano passado, eu voltei da minha caminhada matinal e minha mãe me disse que "a tia ligou de madrugada... o Dieda (avô em russo) faleceu." Aquilo doeu tanto no meu coração. Ou no meu timo. Já esperávamos por isso, porque ele estava nas últimas. Mas mesmo assim, por se tratar de algo definitivo, incomoda. Meu avô foi uma pessoa muito difícil, mas minha mãe o perdoou e sempre filtrou as lembranças negativas, de forma que eu nunca o odiei. Pelo contrário, aprendi a admirá-lo. Medo de morrer ele tinha, e muito. Apertava forte a mão de qualquer pessoa que segurava a dele. Morria de medo de passar por aquilo, medo do desconhecido. Recentemente li um texto que minha mãe escreveu sobre ele. Lindo texto. Ninguém na família se manifestou. Na verdade eles não gostam dos textos da minha mãe. Eu gosto. Aqui em casa, todos gostamos. Não escrevo bem como ela mas, pelo menos, escrevo. O texto só veio confirmar o que eu escrevi acima. Composto de fotos e boas lembranças, enche o coração de saudade. Senti saudades dele, de não ter aproveitado melhor sua companhia, suas histórias. "Tó, nenê." Esticando uma nota de cinqüenta reais, quando o real tinha apenas começado. Aquilo era uma fortuna para mim. Sempre nos chamava de nenê. Em diversas ocasiões disquei o número de seus parentes de Dourados para ele. Também costumava ir com ele buscar minha prima no colégio. Ele sempre ia com antecedência de mais ou menos uma hora. No caminho ele comprava doce de leite. E lá ficávamos, eu e ele, na frente da escola, dentro da camionete branca, esperando pela minha prima. Lembro-me também da nuca dele, castigada pelo sol e pelos anos... parecia um tabuleiro de xadrez. Os muitos movimentos de olhar para os lados produziram tal marca.
Certa vez, eu e minha prima no quarto, à noite, ouvindo música. By My Side, do INXS. Então o Dieda murmurou alguma coisa do quarto dele, ao que minha prima respondeu: "Já abaixei!" então ele disse: "não, aumenta." Ela até me olhou com espanto, mas obedeceu. Outra vez ele foi lavar os cachorros com um jato d'água bem forte que, mesmo de longe, alcançava o quintal da casa. Então ele começou a fazer graça, molhando o quintal da casa e dando risada. Minha vó não achou bonito e mandou-o parar. Eu achei o máximo, meu avô fazendo bagunça. Não é todo dia que eu via isso. Teve também a vez em que ele contou quando bateu numa menina que tinha dedurado o primo dele na escola e por aí vai. A proibição de fazer fogueira porque o vizinho ia pensar que era incêndio está gravada em nossas memórias, como uma pérola do Dieda.
É, não são tão poucas lembranças quanto eu imaginava.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

orgulho e preconceito

Apenas um pretexto para ficarmos juntas. Decidimos, em cima da hora, juntar-nos à turma que iria visitar o ... Fomos em três dormir na casa de mais uma, quatro no total. Conversamos e conversamos e conversamos mais. Então assistimos um filme. E conversamos mais. Duas num quarto, duas no outro. E conversei mais. Depois das quatro da madrugada dormimos. Logo em seguida acordamos para a tal visita.

Chegando lá, a apresentação/explicação via desenho (sub)animado já havia começado. Recebemos uma pasta com alguns folhetos e um gibi, que nada mais era do que a animação em quadrinhos, mesmas falas, mesmo personagens etc. O que a gente sente quando vê algo assim? Pediram para irmos arrumados, já que o lugar exigia tal seriedade. Chegamos lá e estava um desenho extremamente simples para nos explicar a função do lugar. Ao meu lado estava Lord Barl, então perguntei a ele do que se tratava aquilo, quando ouvi “Isso porque você perdeu a explicação da tia antes da animação” É, nada é tão ruim que não possa piorar. Foi quando perguntei para minhas amigas “Será que, quando os alunos da ... (outra universidade) vêm aqui, são os Teletubbies que explicam?” Porque, sinceramente. Após o desenho, a tia (à qual Lord Barl tinha se referido) foi lá na frente perguntar o que achamos. “O que acharam da linguagem? Difícil, acessível?” Claro que um “acessível” uníssono foi o que ela ouviu. Então desandou a falar, fazendo gracinhas sem graças, sobre o lugar, disse que ela fica feliz quando vamos lá porque somos todos chefes dela, que ela trabalha para o povo. Na hora eu pensei em qual resposta será que ela me daria caso eu lhe ordenasse alguma coisa. Afinal, sou chefe, né. Na verdade, o que ela quis dizer, é que ela nos deve satisfação. Mas se ela esperava que eu chegasse em casa dizendo: “Mãe, lá no ... a tia disse que eu sou chefe dela!”, pode esquecer. Porque nessa eu não caio mais.

Mostrou também um vídeo explicando a idéia da realização do desenho. E a palavra de ordem era: lúdico. Perdi as contas de quantas vezes falaram essa palavra, tanto no vídeo quanto a própria tia durante a explicação. Como alguém que aprende uma palavra nova e não vê a hora de usá-la.

Após este desapontamento, ocorreu um coffee break, no qual aproveitamos para socializar-nos com os outros indivíduos e conhecer um pouco mais dos aposentos do local. A que possui carro propôs que fôssemos embora. Achamos melhor consultar Lord Barl, que afirmou, sem pestanejar, que, se ele fosse nós (que impropério!), iria embora sem pensar duas vezes. Foi o suficiente.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

there and back again

Escrevo porque a ocasião pede, não porque tenho vontade. As coisas acontecem porque têm que acontecer. Lembro que, quando voltei, todos perguntavam “E aí, como foi?” Nessa hora, a primeira coisa que vinha à minha cabeça era nada. Quase cinco meses longe, tanta coisa aconteceu e, quando perguntavam, eu só dizia: “Foi muito bom” ou “Valeu a pena” Porque isso que importa, se valeu a pena. Minha amiga até brincava: “Defina sua experiência em 4 palavras” “Foi muito bom, gostei bastante” Hm, já foram 5. Que tal “Gostei bastante, espero voltar”? Enfim, foi algo pelo qual eu pedi e foi, com certeza, a experiência mais marcante da minha vida (até agora, já diria o Homer).

Um dia eu estava sentada na frente do computador e meu pai sentou do meu lado e disse “precisamos conversar” “Já vem...” pensei. Foi então quando ele disse “se você quer ir, vai agora. Tranca a faculdade e vai” Minha mãe só reforçou a idéia. Na verdade, ela que conversou com meu pai sobre isso. Foi uma emoção muito forte. Ir atrás de passaporte, vacinas... 1 mês se passou da conversa e eu estava indo. Uma lembrança que sempre me vem à mente, mas que não gosto de lembrar: a minha despedida. Chorei como uma criança. Incrível que eu estou de volta há sete meses mas, mesmo assim, toda a vez que lembro, me entristeço. Acho que sei o motivo... minha mudança de turma por causa do trancamento de matrícula (curso anual, trancou, perdeu o ano). Desde que eu entrei pro curso, não poderia ter imaginado uma turma melhor do que a minha. Não me arrependo de ter trancado, nem nada. Mas isso não vai me fazer ficar feliz por não estudar na mesma sala que eles. Assisti a algumas aulas com eles este ano. Não me vejo mais como fazendo parte da sala. Minha mãe sempre diz “ninguém é insubstituível” Nem venham falar que não é verdade porque, se assim fosse, ninguém trocava de namorado. Não me refiro à pessoa em si, mas sim ao espaço que ela ocupa, a posição, sua “função”.

Na turma da noite tenho apenas um amigo com quem converso mais. As aulas são cheias de carteiras vagas. Tem um pessoal bacana, mas não como a minha antiga turma. Na atual é cada um na sua e não me encaixo muito bem no esquema. Mas levo como posso.

A volta não foi nada fácil. Tive que afundar mais um pouco para, lá no fundo, pegar impulso para subir. As circunstâncias não facilitam mas poderia ser pior. Nada é tão ruim que não possa piorar, não é assim?

Mas do que estou me queixando? Quanta tolice, não? Comecei esse texto pra falar isso: Um ano, hoje.