sexta-feira, 8 de maio de 2015

pensa que vai

Passa o dia prestando atenção nas coisas, vai que uma é interessante o suficiente e sirva de pretexto para puxar assunto.

Sabe que pra puxar assunto não precisa muito. Um "E aí, como vai?" é o suficiente.

Difícil é manter a conversa fluindo.

Quando percebe, parece um programa de pergunta e resposta. Um lado pergunta, o outro só responde.

Acho que os sintomas são bem claros, né.

Não há interesse. Desista.

Pensa nisso, desiste.

"Chega, cansei, não vou mais perder tempo."

Quando vê, tá lá novamente.

Mas como é teimoso!

sexta-feira, 6 de março de 2015

you are an idiot :)

Às vezes eu tenho a impressão de que, não importa o que eu faça, nunca conseguirei transpor a forte sensação de ser uma completa idiota.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

dinâmica de bruto

The strangest thing happened last friday.

Lembro-me de estar no trabalho, entediada, com o peso da TPM nas costas e nas pernas. Principalmente nas pernas. Eu estava a fim de ir pra casa e ficar deitada.

Mas minha prima estava na cidade e queria me ver. Onde que você tá? Láááá onde eu costumava morar. Na mesma rua. Que coincidência! Que preguiça!

E bom, eu também queria vê-la. E conhecer a filhinha dela e o marido. Afinal, foram quase 4 anos sem nos encontrarmos.

Assim, desencanei do cansaço e fui. Aquele caminho eu conhecia bem. Era o que eu costumava fazer até o começo deste ano. Fui sem grandes pretensões, sem imaginar que os Illuminatis tinham algo maior pra mim.

Cheguei lá e estavam minha prima e sua amiga fazendo docinhos para o aniversário da minha priminha que seria no dia seguinte.

Sentei, conversamos, reparei em como a menina (muito fofa, por sinal) fala bastante e tem uma dicção muito boa para uma criança de 2 anos. Fiquei impressionada.

Um pouco depois eu conheci o marido da minha prima, que acabou saindo em seguida para comprar algo. Gente, quantos detalhes? Estou parecendo o meu pai, que dá a volta ao mundo antes de entrar no assunto. Então eu vou resumir e ir ao que interessa.

Minha prima foi dar banho na filhinha e eu fiquei cuidando do cachorrinho da amiga dela – o Faísca, uma gracinha!

Depois resolvi lavar um pouco de louça que tinha na pia.

Nisso, toca o interfone:
"Alô."
"Marina?"
"Não, é a Ana. Quem é?"
"É o Maron."
"Ok."

Ele entra e eu me apresento como a prima da minha prima. Ela continuava no andar de cima cuidando da priminha e eu fiquei lá embaixo fazendo sala pra ele.

Depois de "Você é do sul?" "O pai dela é irmão da minha mãe" "Uso Spoladore porque é menos comum" "Eu também" "De onde é Maron?" "Do Líbano" "Já foi pro Líbano?" "Não, mas ouvi dizer que é bonito" e eu pensando que esse piá tem cara de quem mexe com internet, pode até ser que ele conheça meu irmão, resolvi perguntar "O que você faz?" "Ah, um monte de coisa, eu sou designer, mas gosto mesmo de escrever quadrinhos". Penso "Quadrinhos? Maron? Mas será? Não é possível... ele é muito novo..." "Mas você publica?" "Sim..." "Mas tem, na internet?" "Tem..." "Mas qual o nome?" "Dinâmica de Brut-" "VOCÊ É O BRUNO MARON??????" "Você conhece meu trabalho??" "Siimm!!! Não acredito!! Cara, eu adoro!! Já até mandei pros meus pais alguns e nossa, vou até te dar um abraço, agora!"

*Abraço*

"Eu já comentei no seu blog!" "Te sigo no twitter!" "Você conhece fulano? E aquele?"

Quantas perguntas pra fazer! "Por que Dinâmica de Bruto?" "Seu desenho é feio de propósito?" "Você escreve com um dicionário do seu lado?"

Então meu primo volta, cumprimenta o Maron e o leva para a casa vizinha.
Adulta que sou, disse: acho que vou embora.
Poxa, queria tanto falar mais com ele...
Fico bolada. “Oi, uma fã aqui?”
Resolvi ir atrás deles e forçar a minha presença na cozinha, junto aos rapazes. E ficamos lá conversando sobre filmes e séries e outras coisas.

O tempo passa e vamos embora depois das 22h. Minha prima se preocupa com a hora, mas digo que é tranquilo, não tem problema, não precisa pagar táxi nem nada, rapidinho eu chego em casa.

Maron também se despede e resolve pegar ônibus no mesmo lugar que eu.

Ainda chegando no ponto, um ônibus se aproxima e ele vai acompanhando para ler a plaquinha com indicação das ruas. O motorista abre a porta e ele pergunta: "Passa na Rua Alfonso Bovero?" Motorista diz que sim. Maron vira pra mim e acena com sua mão metade coberta pela blusa dele "Ana, vou nesse aqui, falou!"

Cho-ran-do!

"Falou".

Dane-se a Rua Alfonso Bovero. Desenho dele nem é tão bom assim.



sábado, 30 de agosto de 2014

etc.

Alexey Shalaev (1966 - )
Não sei se é o momento de voltar a escrever. Nunca sei se é o momento. A vontade sempre permaneceu, mas por algum motivo, sempre fui adiando.

Não tá certo, mas também não quero ficar me cobrando por isso. Sei que sumi há muito tempo.

Neste último ano, o que teve? Um namoro, um término... muitos quilos.

É... acho que é um bom momento para recomeçar.

terça-feira, 14 de maio de 2013

sobre ela etc.

Ela resolveu descansar num banco de madeira no parque.

Senta. Mas está cansada. Então deita. Fica olhando para o céu. Acha bom. Fica relaxada. Parece séria e pensativa. No que estaria pensando? Não parecia feliz. Estava séria demais para uma pessoa alegre.

Talvez estivesse deprimida, angustiada com alguma coisa. Parecia ausente, com o pensamento longe. Aquela cara de “O que estou fazendo com a minha vida?” Mas também poderia estar triste por algo que realmente tinha acontecido.

Revive lembranças. Pondera possibilidades. Nenhum sorriso lhe vem ao rosto, como costuma vir quando nos lembramos de algo bom ou engraçado. Não, ela não visitava boas lembranças.

É possível que mal conseguisse elaborar um pensamento concreto. A mente parecia sem graça, como se não pudesse entretê-la naquele momento a sós dela com ela mesma.

Estava sozinha. Será que era sozinha? Ela estava solitária porque optou ou porque não tinha a quem chamar para um passeio?

Ela não tem cara de muitos amigos... ou poucos. Olhando, não dá pra saber. Mas sei que só alguns se aproximam dela e ela gosta muito de todos eles. Têm cadeira cativa em seu coração. Mas então, por que sozinha? Até o celular deixou em casa. Estava evitando a companhia dos outros ou sabia que quando chegasse em casa não teria registro de nenhuma mensagem ou chamadas perdidas?

Inclusive, quem mais interage com ela pelo celular é o despertador, lembrando-a que, no mínimo, ele é a razão pela qual ela se levanta todas as manhãs...

Mas então... e ela? Fiquei intrigado observando-a por um bom tempo. Então me aproximei, ela me deu espaço para sentar e deitou novamente, descansando a cabeça no meu colo. Permaneceu com os olhos fechados.

-Aqui, você deixou seu celular em casa.
-É, eu sei... não queria carregar nada. Guarda aí no seu bolso. Alguém ligou?
-Só eu, antes de ver seu recado avisando que tinha vindo pra cá.
-Que bom que veio me encontrar.
-Tá tudo bem com você? Você me parece meio abatida.
-Você ficou me observando por um tempo antes de vir aqui, né?
-É, você me conhece... Mas tá tudo bem?
-Sim, só estou com sono – respondeu, sorrindo, com os olhos ainda fechados.

Sorri de volta e comecei a fazer cafuné nela... e então já não estava mais tão séria.