segunda-feira, 1 de setembro de 2014

dinâmica de bruto

The strangest thing happened last friday.

Lembro-me de estar no trabalho, entediada, com o peso da TPM nas costas e nas pernas. Principalmente nas pernas. Eu estava a fim de ir pra casa e ficar deitada.

Mas minha prima estava na cidade e queria me ver. Onde que você tá? Láááá onde eu costumava morar. Na mesma rua. Que coincidência! Que preguiça!

E bom, eu também queria vê-la. E conhecer a filhinha dela e o marido. Afinal, foram quase 4 anos sem nos encontrarmos.

Assim, desencanei do cansaço e fui. Aquele caminho eu conhecia bem. Era o que eu costumava fazer até o começo deste ano. Fui sem grandes pretensões, sem imaginar que os Illuminatis tinham algo maior pra mim.

Cheguei lá e estavam minha prima e sua amiga fazendo docinhos para o aniversário da minha priminha que seria no dia seguinte.

Sentei, conversamos, reparei em como a menina (muito fofa, por sinal) fala bastante e tem uma dicção muito boa para uma criança de 2 anos. Fiquei impressionada.

Um pouco depois eu conheci o marido da minha prima, que acabou saindo em seguida para comprar algo. Gente, quantos detalhes? Estou parecendo o meu pai, que dá a volta ao mundo antes de entrar no assunto. Então eu vou resumir e ir ao que interessa.

Minha prima foi dar banho na filhinha e eu fiquei cuidando do cachorrinho da amiga dela – o Faísca, uma gracinha!

Depois resolvi lavar um pouco de louça que tinha na pia.

Nisso, toca o interfone:
"Alô."
"Marina?"
"Não, é a Ana. Quem é?"
"É o Maron."
"Ok."

Ele entra e eu me apresento como a prima da minha prima. Ela continuava no andar de cima cuidando da priminha e eu fiquei lá embaixo fazendo sala pra ele.

Depois de "Você é do sul?" "O pai dela é irmão da minha mãe" "Uso Spoladore porque é menos comum" "Eu também" "De onde é Maron?" "Do Líbano" "Já foi pro Líbano?" "Não, mas ouvi dizer que é bonito" e eu pensando que esse piá tem cara de quem mexe com internet, pode até ser que ele conheça meu irmão, resolvi perguntar "O que você faz?" "Ah, um monte de coisa, eu sou designer, mas gosto mesmo de escrever quadrinhos". Penso "Quadrinhos? Maron? Mas será? Não é possível... ele é muito novo..." "Mas você publica?" "Sim..." "Mas tem, na internet?" "Tem..." "Mas qual o nome?" "Dinâmica de Brut-" "VOCÊ É O BRUNO MARON??????" "Você conhece meu trabalho??" "Siimm!!! Não acredito!! Cara, eu adoro!! Já até mandei pros meus pais alguns e nossa, vou até te dar um abraço, agora!"

*Abraço*

"Eu já comentei no seu blog!" "Te sigo no twitter!" "Você conhece fulano? E aquele?"

Quantas perguntas pra fazer! "Por que Dinâmica de Bruto?" "Seu desenho é feio de propósito?" "Você escreve com um dicionário do seu lado?"

Então meu primo volta, cumprimenta o Maron e o leva para a casa vizinha.
Adulta que sou, disse: acho que vou embora.
Poxa, queria tanto falar mais com ele...
Fico bolada. “Oi, uma fã aqui?”
Resolvi ir atrás deles e forçar a minha presença na cozinha, junto aos rapazes. E ficamos lá conversando sobre filmes e séries e outras coisas.

O tempo passa e vamos embora depois das 22h. Minha prima se preocupa com a hora, mas digo que é tranquilo, não tem problema, não precisa pagar táxi nem nada, rapidinho eu chego em casa.

Maron também se despede e resolve pegar ônibus no mesmo lugar que eu.

Ainda chegando no ponto, um ônibus se aproxima e ele vai acompanhando para ler a plaquinha com indicação das ruas. O motorista abre a porta e ele pergunta: "Passa na Rua Alfonso Bovero?" Motorista diz que sim. Maron vira pra mim e acena com sua mão metade coberta pela blusa dele "Ana, vou nesse aqui, falou!"

Cho-ran-do!

"Falou".

Dane-se a Rua Alfonso Bovero. Desenho dele nem é tão bom assim.



sábado, 30 de agosto de 2014

etc.

Alexey Shalaev (1966 - )
Não sei se é o momento de voltar a escrever. Nunca sei se é o momento. A vontade sempre permaneceu, mas por algum motivo, sempre fui adiando.

Não tá certo, mas também não quero ficar me cobrando por isso. Sei que sumi há muito tempo.

Neste último ano, o que teve? Um namoro, um término... muitos quilos.

É... acho que é um bom momento para recomeçar.

terça-feira, 14 de maio de 2013

sobre ela etc.

Ela resolveu descansar num banco de madeira no parque.

Senta. Mas está cansada. Então deita. Fica olhando para o céu. Acha bom. Fica relaxada. Parece séria e pensativa. No que estaria pensando? Não parecia feliz. Estava séria demais para uma pessoa alegre.

Talvez estivesse deprimida, angustiada com alguma coisa. Parecia ausente, com o pensamento longe. Aquela cara de “O que estou fazendo com a minha vida?” Mas também poderia estar triste por algo que realmente tinha acontecido.

Revive lembranças. Pondera possibilidades. Nenhum sorriso lhe vem ao rosto, como costuma vir quando nos lembramos de algo bom ou engraçado. Não, ela não visitava boas lembranças.

É possível que mal conseguisse elaborar um pensamento concreto. A mente parecia sem graça, como se não pudesse entretê-la naquele momento a sós dela com ela mesma.

Estava sozinha. Será que era sozinha? Ela estava solitária porque optou ou porque não tinha a quem chamar para um passeio?

Ela não tem cara de muitos amigos... ou poucos. Olhando, não dá pra saber. Mas sei que só alguns se aproximam dela e ela gosta muito de todos eles. Têm cadeira cativa em seu coração. Mas então, por que sozinha? Até o celular deixou em casa. Estava evitando a companhia dos outros ou sabia que quando chegasse em casa não teria registro de nenhuma mensagem ou chamadas perdidas?

Inclusive, quem mais interage com ela pelo celular é o despertador, lembrando-a que, no mínimo, ele é a razão pela qual ela se levanta todas as manhãs...

Mas então... e ela? Fiquei intrigado observando-a por um bom tempo. Então me aproximei, ela me deu espaço para sentar e deitou novamente, descansando a cabeça no meu colo. Permaneceu com os olhos fechados.

-Aqui, você deixou seu celular em casa.
-É, eu sei... não queria carregar nada. Guarda aí no seu bolso. Alguém ligou?
-Só eu, antes de ver seu recado avisando que tinha vindo pra cá.
-Que bom que veio me encontrar.
-Tá tudo bem com você? Você me parece meio abatida.
-Você ficou me observando por um tempo antes de vir aqui, né?
-É, você me conhece... Mas tá tudo bem?
-Sim, só estou com sono – respondeu, sorrindo, com os olhos ainda fechados.

Sorri de volta e comecei a fazer cafuné nela... e então já não estava mais tão séria.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

a caminho de diadema

Dias atrás fui ajudar uma amiga a mudar-se para a casa de outra amiga nossa, uma que mora em Diadema, cidade vizinha de São Paulo, e aí reside todo meu conhecimento sobre a cidade.

Não que a mudança dela fosse enorme, até porque, como veio à procura de emprego, trouxe apenas duas malas não muito grandes - porém pesadas, é verdade.

Fomos, então, para Diadema. No último percurso do trajeto, pegamos um ônibus. Estava um pouco cheio e abafado. Eu coloquei as duas malas no chão, encostadas ao máximo perto dos assentos para evitar o bloqueio do corredor. Ambas ficamos em pé, ela mais pra lá, eu pra cá, batendo minha bolsa na cara da colega sentada que logo se ofereceu para segurá-la para mim, obrigada.

O ônibus foi ficando cada vez mais lotado mas, chegando a outro terminal, muitos saíram e um lugar ficou vago ao lado de um senhor, que me convidou para sentar ali, já que eu estava carregada.

Caía o mundo em chuva, mal dava para se ver lá fora.

Como quase toda conversa com estranhos, essa iniciou-se com o senhor comentando sobre a chuva e eu sobre o fato de, "ainda por cima", estar carregando as malas.

Ele foi falando o trajeto inteiro e eu nem me importei, afinal, com a nossa diferença de idade, ele tinha muito mais história para contar do que eu.

Logo fiquei interessada na conversa porque, depois de discorrer um pouco sobre como ele não suportava a cidade de Diadema que, segundo ele, tinha muita baianada e que ele já havia morado lá e que agora apenas visitava sua cunhada, esse simpático senhor preconceituoso me contou que era um bibliotecário aposentado. Disse que trabalhou por muitos anos na Biblioteca Mário de Andrade. Falou sobre seu amor pelos livros, sobre como conhecia todos os cantos de lá, especificou os gêneros que ocupavam cada andar (pelo menos não pediu que eu decorasse, pois esqueci logo em seguida), criticou uma antiga coordenadora que mandou passar pano úmido nos livros e guardar novamente, estragando diversos deles. Falou de como hoje a Biblioteca está bonita, e de como hoje o pessoal novo que trabalha lá não sabe onde ficam as coisas, tudo tem que "jogar na tela", assim é fácil, quero ver saber de cor e conduzir a pessoa até o setor correto.

Falei que ainda não conhecia essa biblioteca e que quero muito conhecê-la. Ele disse que, inclusive, as salas de estudo são muito boas. Romântica que sou, pensei que a conversa ia girar em torno disso, a paixão pelos livros, a nostalgia. Mas era um trajeto longo e a conversa foi desenrolando, mesmo que, praticamente, de forma unilateral. Eu apenas ouvia.

Depois dos livros, falou sobre a vida de aposentado, sobre como gastava seu tempo, sobre viagens, o que gostava de fazer e, principalmente, cantar. Gravou um CD com a filha, com a neta, um CD bem gravado. Ele vendeu mil cópias e agora dá de presente pra todo mundo e que, se tivesse um ali, me daria um de presente.

Ele falou da filha, da neta e do genro, 30 anos mais velho que a filha, "feio, acabado, mas ela gosta dele, é um ótimo marido pra minha filha... não tenho do que reclamar." Quando perguntei pela esposa, ele disse que já era separado. E que depois dela já havia namorado muitas, mas que as mulheres de hoje não querem nada com nada. "Só querem motel, ir a restaurante, viajar... pede pra lavar uma meia, pra você ver! 'Meia eu já lavava as do meu marido' elas dizem!" Não tem mulher que preste. A neta fez um perfil online para ele, um senhor de 82 anos, encontrar alguém para namorar. Uma de 18 anos mostrou interesse e tá louco, viu, mulherada tá impossível.

Finalmente, nós dois em pé, já no terminal, minha amiga me esperando, e eu esperando que ele terminasse a história de um cara que "Pimba!" engravidava todo mundo e até agora não sei quem é esse cara e como ele foi parar na conversa. Por último, pediu que eu anotasse o telefone dele porque ele fazia questão de me levar um CD de presente.

Acho que esse senhor não conversava com alguém há muito tempo. Ele ainda contou uma porção de coisas das quais não lembro a sequência ou os detalhes.

A conversa não foi exatamente como eu esperava, mas foi interessante. No fim, nos apresentamos, Seu Juarez, só Juarez. "E sua graça?" "Ana", respondi. E ali nos despedimos.

E até agora não sei onde deixei o papel com o telefone dele.




terça-feira, 20 de novembro de 2012

das coisas que fazemos por capricho

Quando eu tinha 15 anos, meu professor de Filosofia falou sobre a diferença entre fazermos a primeira coisa que nos vem à cabeça, fazer aquilo que queremos e fazer as coisas simplesmente por capricho.

Para exemplificar as duas primeiras hipóteses, ele citou os personagens Vronski e Liêvin do romance Ana Karenina (meu romance predileto até agora, que li justamente pela indicação desse professor). Segundo ele, Vronski fez o que lhe veio à cabeça, enquanto Liêvin, por outro lado, fez o que queria, mas apenas quando foi possível. 

Li o livro e não passei perto de fazer esta análise -mesmo a leitura tendo sido posterior à aula. Até que, escrevendo sobre isso, agora, vejo que faz sentido. Mas nem foi nisso que fiquei pensando durante todos esses anos (nem tantos assim). Antes, fiquei pensando, diversas vezes, sobre as coisas que fazemos por capricho.

Segundo a explicação dele, são coisas que fazemos apenas por fazer. É como chutar uma lata ou uma pedra que encontramos na rua e ir chutando até que elas tenham saído da nossa frente. Bater um graveto nas grades ou no portão de alguma casa. Arrancar uma folha ao passar por uma planta. Esvaziar uma bexiga fazendo barulho. Estourar um balão. Pular para tentar alcançar o teto com a mão.

Isso quando não envolve interação com os outros, como a piada do pavê, que muitas vezes é mais forte que o indivíduo e, antes que ele tenha pensado sobre o assunto, já fez o comentário sobre ver e comer o doce. E isso que faz anos e anos que não como pavê. Mas a piada estará sempre lá e imagino que perpetuará durante muitas gerações.

Também quando duas pessoas estão conversando e passa uma terceira dizendo "É tudo mentira o que ela tá falando, não acredita nela, não, é tudo mentira." Já presenciei essa cena constrangedora inúmeras vezes. Gosto de pensar que é por capricho, porque sei que, uma vez que a pessoa falou isso, já se arrependeu em seguida, porque é muita vergonha alheia. Ninguém quer fazer esse tipo de comentário.

Ou quando meu primo cuspiu num doce que minha prima estava preparando. Aquilo foi puro capricho, não tinha razão nenhuma para ele fazer aquilo. E claro que o doce foi servido mesmo assim.

Outro capricho recorrente era quando, na época de internet discada, a conexão de alguém caía e, quando voltava para o chat, o outro perguntava "Machucou?" Foi cute até certo ponto, depois acabou ficando repetitivo e, felizmente, hoje em dia a internet nem cai tanto assim e, quando cai, ninguém mais faz essa pergunta - eu imagino.

Acho que este texto eu escrevi por capricho. Ou talvez porque eu quis. Porque se fosse a primeira coisa que tivesse me vindo à mente, ele teria, no mínimo, 11 anos.

Então fica aí a reflexão de que às vezes fazemos o que queremos, às vezes fazemos a primeira coisa que nos vem à cabeça e, em grande parte dos casos, fazemos coisas por capricho.

A menos que eu não tenha entendido nada do que o professor estava tentando ensinar. Mas isso não é mais problema meu, afinal, já passei nessa matéria.