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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

de como eu vou estar me contentando...


Ele escreve bem, lê bons livros, é atencioso, a conversa rende por horas, tem bom gosto musical, é engraçado, companheiro e bonito. Ou não. Pode até ser feio, ou muito feio. Isso não importa, sabe por quê? Porque ele tem namorada e/ou mora longe ou não se interessa por você, ou gosta de meninas mais novas, ou te vê como melhor amiga dele, tem objetivos diferentes ou coisa que o valha.

Aí aprendemos que nem sempre os mais interessantes vão se mostrar interessados. E aí entram os mais ou menos. Aqueles que têm um e-mail no yahoo, no hotmail, que escrevem "naum", que dão risada com "kkkkkkkk" ou "rsrsrsrsrsrsrs", que gostam de M. Shyamalan, Augusto Cury, seguem o Luciano Huck no twitter, ou nem têm twitter, só ajudam com a louça de você pedir (mandar), você tá mal e ele diz "Ow, tenho que ir agora, bjus!" e por aí vai.

Mas se é tão mais pra menos que pra mais, por que eles? Porque, de alguma forma, com o tempo, eles vão entender que gmail é melhor, que google chrome é mais rápido, que os filmes que você gosta também são assistíveis, que legendado é bem melhor, que auto-ajuda é repetitivo e que lavar uma louça não mata ninguém.

E eu também não vou me importar em ouvir sertanejo na viagem, afinal, ele tem um coração bom, ele é divertido (tanto quanto o Michael Scott), ele compra algo simplesmente porque se lembrou de mim e de como eu gosto daquilo, ele vai me dar flores porque não vai lembrar da conversa em que eu disse que não gosto de receber flores porque ela morrem, mas ele vai dar flores e bombons e não vai guardar minhas cartas em um lugar especial porque ele não terá um. Provavelmente estarão jogadas na gaveta de cuecas dele.

Então vocês podem pensar que estou sendo contraditória e que, na verdade, é melhor estar sozinha do que mal acompanhada. E é verdade. Unless they're hot.



sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

só mais um lamento entre tantos já feitos

Como lamentar sem ser pedante? Como questionar o porquê das coisas sem ter dó de si mesmo? Como fazer a famosa pergunta “O que há de errado comigo?” sem parecer autocomiseração?


É, acho que não tem como. E mesmo assim, continuamos nessa árdua tarefa de tentar compreender o porquê de as coisas serem como elas são e nós, as vítimas por elas assim serem.
Tomando por base um texto da Jane Austen, que diz:


Era mais forte sozinha, e tal era o apoio que lhe propiciava o seu bom senso, que sua firmeza era tão inabalável, e sua aparência tão constantemente alegre quanto era possível face a desgostos tão penetrantes e recentes.



É diferente quando outra pessoa diz isso sobre você ou qualquer outro, que seja. Soa mais digno, como reconhecimento. Não me lembro de alguém ter dito algo parecido com isso para mim. Creio que foi mais uma conclusão a qual eu cheguei ao ler esse trecho e perceber que esta era, de certa maneira, minha realidade.


Não que eu não tenha com quem contar, como amigos ou minha mãe. Mas nem sempre nos sentimos confortáveis em nos abrir e nem sempre as pessoas possuem as respostas para nossas dúvidas. O que, via de regra, é bem comum acontecer comigo.


Muitos se sentem à vontade para falar comigo sobre seus problemas. E eu não me importo, pois em muito me agrada ser útil aos outros. E, pra falar a verdade, o problema dos outros não é nada se comparados aos nossos (vistos por nós mesmos). Eu posso estar super mal e, mesmo assim, se alguém vier se abrir comigo, eu tenho o que falar para pessoa. Não que eu tenha fórmulas prontas ou sempre tenha algo a dizer. Às vezes só querem ser ouvidas. E eu gosto de ouvir os outros. Sem contar que raramente o que eu falo é levado em conta. Afinal, não falo nada de excepcional ou que alguém já não tenha dito antes. Nada há de novo embaixo do sol. Inclusive os problemas. Eles se repetem. Briga em família, morte de alguém próximo, doenças etc. Não que, por isso, eles sejam menores ou menos dolorosos.


Uma coisa que eu aprendi é que cada um tem sua porção. Alguns têm uma vida mais amarga e nem por isso são menos felizes. Outros mal suportam pequenos dissabores. Sempre achei que minha porção não era das mais fáceis. Quando lembro tudo o que passei, continuo achando que minha vida não foi muito easy, de fato. Mas nem por isso foi ruim ou em vão. Apenas foi. E é pena que eu ainda não tenha encontrado alguém com quem dividir todas essas histórias. Acabo distribuindo, em doses homeopáticas, um pouco da minha história aqui e ali. Mas já percebi que nem todos têm paciência para (me) ouvir. Mas sei que se leva um tempo até termos nossas histórias valorizadas. Não quero banalizar minhas experiências. Então, se for pra dividir, que seja com aquelas pessoas que, de alguma maneira, fazem parte da minha vida e da minha história.


E não digo isso da boca pra fora. Muitas vezes já contei algo que era muito relevante pra mim e tive que interromper minha fala, seja por distração, desinteresse ou porque tinha algo mais importante acontecendo. Nessas horas eu penso “Perdi a oportunidade de ficar quieta.”


Mas eu continuo falando e perdendo a oportunidade de ficar quieta. Quem sabe, um dia, alguém me descubra. Mas não conto com isso. Expectativas, ainda mais por coisas boas, nunca deram muito certo comigo. E, enquanto esse dia não chega, muitas caminhadas e reflexões solitárias (pois muito me são necessárias) acontecerão e, também, como não poderia deixar de ser, textos tolos e amargos ainda estão por vir.


Ponderei que seria pedante...

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

there and back again

Escrevo porque a ocasião pede, não porque tenho vontade. As coisas acontecem porque têm que acontecer. Lembro que, quando voltei, todos perguntavam “E aí, como foi?” Nessa hora, a primeira coisa que vinha à minha cabeça era nada. Quase cinco meses longe, tanta coisa aconteceu e, quando perguntavam, eu só dizia: “Foi muito bom” ou “Valeu a pena” Porque isso que importa, se valeu a pena. Minha amiga até brincava: “Defina sua experiência em 4 palavras” “Foi muito bom, gostei bastante” Hm, já foram 5. Que tal “Gostei bastante, espero voltar”? Enfim, foi algo pelo qual eu pedi e foi, com certeza, a experiência mais marcante da minha vida (até agora, já diria o Homer).

Um dia eu estava sentada na frente do computador e meu pai sentou do meu lado e disse “precisamos conversar” “Já vem...” pensei. Foi então quando ele disse “se você quer ir, vai agora. Tranca a faculdade e vai” Minha mãe só reforçou a idéia. Na verdade, ela que conversou com meu pai sobre isso. Foi uma emoção muito forte. Ir atrás de passaporte, vacinas... 1 mês se passou da conversa e eu estava indo. Uma lembrança que sempre me vem à mente, mas que não gosto de lembrar: a minha despedida. Chorei como uma criança. Incrível que eu estou de volta há sete meses mas, mesmo assim, toda a vez que lembro, me entristeço. Acho que sei o motivo... minha mudança de turma por causa do trancamento de matrícula (curso anual, trancou, perdeu o ano). Desde que eu entrei pro curso, não poderia ter imaginado uma turma melhor do que a minha. Não me arrependo de ter trancado, nem nada. Mas isso não vai me fazer ficar feliz por não estudar na mesma sala que eles. Assisti a algumas aulas com eles este ano. Não me vejo mais como fazendo parte da sala. Minha mãe sempre diz “ninguém é insubstituível” Nem venham falar que não é verdade porque, se assim fosse, ninguém trocava de namorado. Não me refiro à pessoa em si, mas sim ao espaço que ela ocupa, a posição, sua “função”.

Na turma da noite tenho apenas um amigo com quem converso mais. As aulas são cheias de carteiras vagas. Tem um pessoal bacana, mas não como a minha antiga turma. Na atual é cada um na sua e não me encaixo muito bem no esquema. Mas levo como posso.

A volta não foi nada fácil. Tive que afundar mais um pouco para, lá no fundo, pegar impulso para subir. As circunstâncias não facilitam mas poderia ser pior. Nada é tão ruim que não possa piorar, não é assim?

Mas do que estou me queixando? Quanta tolice, não? Comecei esse texto pra falar isso: Um ano, hoje.